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[Resenha] O Nome do Vento

28 de jan de 2014

Título: O Nome do Vento
Subtítulo: A Crônica do Matador Rei: Primeiro Dia      
Autor: Patrick Rothfuss
Ano: 2009
Páginas: 656
Editora: Sextante
Classificação: Ótimo

Sinopse: Ninguém sabe ao certo quem é o herói ou o vilão desse fascinante universo criado por Patrick Rothfuss. Na realidade, essas duas figuras se concentram em Kote, um homem enigmático que se esconde sob a identidade de proprietário da hospedaria Marco do Percurso.Da infância numa trupe de artistas itinerantes, passando pelos anos vividos numa cidade hostil e pelo esforço para ingressar na escola de magia, O nome do vento acompanha a trajetória de Kote e as duas forças que movem sua vida: o desejo de aprender o mistério por trás da arte de nomear as coisas e a necessidade de reunir informações sobre o Chandriano – os lendários demônios que assassinaram sua família no passado.Quando esses seres do mal reaparecem na cidade, um cronista suspeita de que o misterioso Kote seja o personagem principal de diversas histórias que rondam a região e decide aproximar-se dele para descobrir a verdade. Pouco a pouco, a história de Kote vai sendo revelada, assim como sua multifacetada personalidade – notório mago, esmerado ladrão, amante viril, herói salvador, músico magistral, assassino infame. Nesta provocante narrativa, o leitor é transportado para um mundo fantástico, repleto de mitos e seres fabulosos, heróis e vilões, ladrões e trovadores, amor e ódio, paixão e vingança. Mais do que a trama bem construída e os personagens cativantes, o que torna O nome do vento uma obra tão especial – que levou Patrick Rothfuss ao topo da lista de mais vendidos do The New York Times – é sua capacidade de encantar leitores de todas as idades. 

Entre milhares de livros de fantasia lançados todos os anos, raramente um livro se sobressai no requisito inovação, sempre seguem o mesmo modo de escrever o gênero, o que anda tornando os livros de fantasia muito parecidos, sem inovações, sem graça, algo de tirar o animo dos leitores, mesmo entre os amantes desse gênero como eu, porém O Nome do Vento é sem dúvida nenhuma uma obra que mesmo em um gênero tão bem definido conseguiu inovar, se destacar, abrindo os olhos para os fãs de fantasia.

Primeiro livro do americano Patrick Rothfuss, uma obra que demorou 14 anos para ser escrita, isso mesmo 14 anos, uma obra repleta de prêmios e que ficou por um bom tempo entre os mais vendidos do tão prestigiado jornal americano, The New York Times. O livro é o primeiro volume de uma trilogia intitulada de A Crônica do Matador do Rei, que já possui dois volumes publicados no Brasil, sendo O Nome do Vento, publicado em 2009 pela editora Sextante e o Temor do Sábio, o segundo volume, em 2011, pela editora Arqueiro. O livro narra a história de Kvothe, ou simplesmente Kote, um rapaz de cabelos da cor do fogo,  olhos verdes, misterioso, lendário, cercados por mitos envolvendo seu nome, mas que em determinado momento, decidiu fugir do seu passado e se esconder do mundo, esconder suas lembranças, suas histórias,  numa hospedaria a beira de uma estrada de uma cidade completamente desconhecida no meio do nada. Mas sua lenda não será guardada para sempre, pois um cronista aparece na tranquila hospedaria querendo saber mais sobre os mitos e a vida dele, porém o cronista só terá três dias para escrever tudo sobre a vida desse rapaz.

“Quer dizer que você saiu em busca de um mito e encontrou um homem (…) você ouviu histórias e agora quer a verdade. (…) Posso contar-lhe a coisa toda em um só fôlego – afirmou. Pigarreou e concluiu: – Fiz parte de uma trupe, viajei, amei, perdi, confiei e fui traído.” Página 52


Sendo uma trilogia, a trama é dividida entre as fases da vida do personagem, uma estrutura muito bem adotada, já que o cronista só terá três dias para escrever tudo sobre Kvothe. Este primeiro volume trata desde a infância, como membro de uma trupe de artistas com seus pais, um garoto que amava cantar, tocar alaúde, aprender música, até sua adolescência, onde consegue entrar na Universidade, onde busca seus dois maiores desejos, aprender a nomear as coisas, desde que conheceu o arcanista Ben, e reunir o máximo de informações sobre o Chandriano, um demônio que assassinou toda a trupe e com ela sua família, um demônio que para ele não passava de uma lenda urbana para habitar os pesadelos e as cantigas das crianças, mas o demônio realmente existe. Esses dois desejos, guiam o enredo, o coração e a mente desse herói. 

“Só que, na primeira vez em que eu o vira, Ben tinha conseguido, de alguma forma, chamar o vento. Aquilo não fora mera simpatia. Era magia de livros de histórias. Era o segredo que eu queria mais do que tudo.” Página 100

Kvothe na Universidade
O que distingue O Nome do Vento, de outros livros de fantasia é a abordagem que o autor dar ao texto, ele dedica à descrição dos personagens, seus pensamentos, seus medos, seus desafios, e não somente aos aspectos geográficos com os mínimos detalhes, como é de se esperar em livros de fantasia, quantas janelas possui o castelo, quantas folhas foram levadas pelo vento, como está o clima, como é a cor do cavalo, coisas desse tipo. Não estou dizendo que ele não faz descrição do ambiente, muito pelo contrário, a descrição do ambiente é incrível, porém ele não fica dando os mínimos detalhes de tudo, como outros escritores desse gênero. Patrick, conseguiu criar um mundo épico, fantástico, que dá vontade de viver, um ambiente com magia, com músicas, com aventuras, com aflições, com paixões, uma história que realmente surpreende do começo ao fim.

A narrativa é dividida em dois tempos. A primeira, que nos é apresentado logo no começo, é o presente, onde o protagonista é um simples dono de uma hospedaria, narrado em terceira pessoa, ou narrador-onisciente. A segunda trata do passado de Kvothe, narrado em primeira pessoa, ou narrador personagem.

Kvothe
Falando dos personagens, eles são muito bem construídos, complexos, carismáticos, mas o mais complexo e misterioso de todos, é sem dúvida, Kvothe. Quando comecei a ler sua história fiquei com dó, torci para que tudo desse certo, mas quando voltamos ao presente, não conseguia enxergar aquele garotinho, que é muito inteligente, esperto, com um talento incrível para música, uma sede de aprender magia, de correr atrás dos seus objetivos, de enfrentar seus medos, de erguer a cabeça., mas na realidade ele é um homem qe fica se escondendo numa hospedaria no fim do mundo. Não sabemos ao final se ele é um grande herói ou um vilão.

Bem, então se você gosta de uma leitura que fará você se emocionar, gosta de livros de fantasia épica, precisa ler, O Nome do Vento, que considero um dos mais geniais da literatura fantástica. Aventure-se nas memórias de Kvothe e descubra as lendas desse Matador do Rei.


"Meu nome é Kvothe, com pronúncia semelhante à de “Kuouth”. Os nomes são importantes, porque dizem muito sobre as pessoas. Já tive mais nomes do que alguém tem o direito de possuir.Os ademrianos me chamam de Maedre, o que, dependendo de como é falado, pode significar “A Chama”, “O Trovão” ou “A Árvore Partida”. 

“A Chama” é óbvio, se algum dia você já me viu. Tenho o cabelo ruivo, vermelho vivo. Se tivesse nascido há uns 200 anos, é provável que tivessem me queimado na fogueira como demônio. Eu o mantenho curto, mas ele é rebelde. Deixado ao natural, fica espetado e faz com que eu pareça estar pegando fogo. 

“O Trovão” é um nome que atribuo à voz forte de barítono e a uma longa formação no palco, em idade precoce. 

Nunca pensei em “A Árvore Partida” como muito significativo. Mas, em retrospectiva, suponho que poderia ser considerado ao menos parcialmente profético. 

Meu primeiro mentor me chamava de E‟lir, porque eu era inteligente e sabia disso. Minha primeira amada de verdade me chamava de Duleitor, porque gostava desse som. Já fui chamado de Umbroso, Dedo-Leve e Seis-Cordas. Fui chamado de Kvothe, o Sem-Sangue; Kvothe, o Arcano; e Kvothe, o Matador do Rei. Mereci esses nomes. Comprei e paguei por eles. 

Mas fui criado como Kvothe. Uma vez meu pai me disse que isso significava “saber”. 

Fui chamado de muitas outras coisas, é claro. Grosseiras, na maioria, embora pouquíssimas não tenham sido merecidas. 

Já resgatei princesas de reis adormecidos em sepulcros. Incendiei a cidade de Trebon. Passei a noite com Feluriana e saí com minha sanidade e minha vida. Fui expulso da Universidade com menos idade do que a maioria das pessoas consegue ingressar nela. Caminhei à luz do luar por trilhas de que outros temem falar durante o dia. Conversei com deuses, amei mulheres e escrevi canções que fazem os menestréis chorar. 
Vocês devem ter ouvido falar de mim" Página 58


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17 comentários:

  1. ADOREI! Enquanto lia sua resenha, lembrei do filme Peixe Grande de Tim Burton, onde um pai conta suas aventuras para seu filho. Estou com muita vontade de ler esse livro, quem faz os desenhos? Você não disse, achei eles belíssimos. Então, parabéns pela resenha e pelo blog.

    Colunista: Daniel

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    Respostas
    1. Eu não conheço. Eu achei na página do livro no Facebook. Tem o link em baixo da foto. Eles são feitos por fãs, lá eu achei um monte, mas esses retratam muito bem a história >.<
      Obrigada pela motivação e pelo carinho com o blog, isso é muito importante para que ele continue existindo.

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  2. Quero ler esse livro, ó! Deve ser legal! Principalmente isso de não saber se ele é um vilão ou herói.
    @mmundodetinta
    maravilhosomundodetinta.blogspot.com.br

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  3. Interessante o enredo desse livro... é bem legal quando a história interage com você!

    ~Glaucia

    www.leitorait.com

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  4. Eu sou louca para ler esse livro, mas devo confessar que o que mais me chamou atenção nele foi o número de páginas. Eu adoro livros com muitas páginas. Adoro quando o livro tem personagens bem construídos.
    beijos

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  5. Parece ser bom. Gostei bastante da resenha e da ilustração!

    Beijos.
    Páginas na Estante
    @alyneadriana

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  6. Interessante! Parabéns.
    Depois olha os novos textos em meu blog → http://diogo-pimenta.blogspot.com.br/

    Um forte abraço e fica com Deus.

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  7. Neste gênero até hoje só li O Senhor do Anéis e nem sei se pode-se comparar um com o outro, mas de tanto ver os blogueiros falar bem deste livro não posso negar que tenho muita curiosidade.

    Beijoks

    Vanessa Meiser
    http://balaiodelivros.blogspot.com/

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  8. Eu sempre olho pra esse livro na livraria e acabo não comprando, mas depois dessa resenha acho que não vou mais passar por ele, gosto muito de livros desse estilo, também me lembrou um pouco do filme peixe grande.

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  9. eu gostei da sua resenha
    cada resenha que leio desse livro é bem diferente, umas me deixam com o pé atrás outras me deixam animada xp ai fico na duvida se leio ou nao

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  10. Só vejo comentários positivos sobre esse livro e como fã de fantasia quero muito ler, parece ser realmente muito bom!

    Beijo:*
    Naty.

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  11. Realmente o livro chama a atenção, seja pela capa, seja pelo título. E me remete à ideia de um livro de Zafón. Mas vejo que é uma aventura cheia de segredos e que descobrir esses mistérios vai ser muito estimulante.

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  12. Eu simplesmente amo essa trilogia, está entre os meus preferidos com certeza, ao lado de Tolkien e Paolini Rothfuss se mostrou ter essência de ambos. Claro que como muitos fãs não vejo a hr de ler o 3º livro que vai demorar séculos para chegar aqui. Adoro o Bast, sério, mas o Kvothe é um dos melhores personagens que tive o prazer de conhecer, soturno, misterioso e solitário. Seus segredos me deixaram fascinada. Parabéns pela resenha.

    http://blogliterata.blogspot.com.br/

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  13. Sempre desejei esses livros, e o tamanho deles podem assustar um pouco. Mas a leitura parece ser tão gostosa, que nem ligamos. Acredito que o 3º volume demore um pouco, então da tempo de ler esses =)

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  14. Oi!
    Estava com uma super expectativa antes de ler O Nome do Vento e ao contrário de vc, fiquei um pouco decepcionada. Não com o mundo incrível criado por Rothfuss porque isso é o que tem de melhor no livro. Talvez um pouco pelo vaivém do Kvothe com aquele cara com quem ele brigava na Universidade (esqueci o nome da figura, é Ambrose?). Acho que passou um pouco do limite e fiquei entediadíssima com isso. Mas, pelo que vc colocou sobre O Temor do Sábio foi justificável para depois mostrar a evolução na maturidade do Kvothe. Fiquei um pouco desanimada para ler a continuação, mas a curiosidade de saber como ele foi expulso da universidade é maior.
    O que eu mais gostei foi a busca pelo Chandriano. Se o livro se concentrasse só nisso para mim estaria excelente!
    Se o primeiro tem 656 páginas, o segundo 960 (pelo q lembro), o terceiro terá quantos? 1200 e poucas? rsrs
    Grande Patrick!
    Por sua resenha de O Temor do Sábio vou voltar a querer lê-lo! rs
    Bjs

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  15. Nao conhecia esse livro ate agora, ele é bem do grandinho noa O: (estou numa ressaca que nao leio livro mais de 300 paginas ;/), o enredo me chamou atenção, adorei as ilustraçoes, lindinha

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  16. Estou super curiosa e com imensa vontade os dois livros, O Nome do Vento e O Temor do Sábio. Essa série me chamou a atenção desde que a vi nos lançamentos Sextante e Arqueiro, mas vou aguardar mais um pouco para ver se o terceiro livro The Doors of Stone chega logo. Não sei se há previsão.

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